
PREQUESTIONAR PARA CHEGAR AO TST NÃO É PROTELAR: A MULTA QUE PUNIU O RECLAMANTE PELO CAMINHO QUE A LEI LHE EXIGE
Para levar uma causa ao Tribunal Superior do Trabalho, o trabalhador precisa antes prequestionar: opor embargos de declaração para que o tribunal se manifeste de forma expressa sobre os pontos que ele quer rediscutir. É ônus que a Súmula 297 do TST impõe a quem pretende recorrer. Foi o que fez o reclamante no processo 0000026-91.2025.5.18.0261, ao apontar omissões sobre o intervalo para recuperação térmica e a indenização por danos materiais do acidente de trabalho. Em vez de reconhecer a finalidade prequestionadora, a 2.ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 18.ª Região rejeitou os embargos como “mau uso da via” e ainda multou o trabalhador em 1% do valor da causa. A Súmula 98 do Superior Tribunal de Justiça diz o contrário: embargos com propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório. Este artigo mostra que a decisão presumiu a protelação onde a lei manda demonstrá-la e puniu o único caminho que o trabalhador tinha para chegar ao TST.

