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TERCEIRIZAÇÃO NO BRASIL: LEI 13.429/2017 E STF

Atualizado há 4 semanas ago.

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Escrito por Claudio Mendonça

em outubro 14, 2024

Resumo
A Lei 13.429/2017 e o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) de junho de 2018, nas ADIs 5685, 5686, 5687, 5695 e 5735, liberaram a terceirização de qualquer atividade, inclusive a atividade-fim, e superaram a Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que a restringia à atividade-meio. O novo marco ampliou a liberdade das empresas, mas manteve sobre a tomadora de serviços e a administração pública o dever de fiscalizar as condições de trabalho dos terceirizados, sob pena de responsabilidade subsidiária.


1. Introdução

A terceirização é uma prática de gestão empresarial que consiste na contratação de uma empresa para realizar determinadas atividades, seja de apoio (atividade-meio) ou diretamente relacionadas à finalidade principal (atividade-fim) da empresa contratante. No Brasil, essa prática foi regulamentada pela Lei 13.429/2017, conhecida como a Lei da Terceirização. Este tema sempre foi objeto de intensos debates e divergências jurídicas, devido aos impactos sobre os direitos dos trabalhadores e a organização do mercado de trabalho.

2. Conceito e Histórico da Terceirização no Brasil

Antes da Lei 13.429/2017, a terceirização no Brasil era regulada de forma precária e principalmente orientada pela jurisprudência do TST, notadamente a Súmula 331. Segundo essa súmula, a terceirização era permitida apenas em atividades-meio, como serviços de limpeza e vigilância, e nunca em atividades-fim, diretamente ligadas à finalidade principal da empresa. A Súmula 331 também estabelecia que a empresa tomadora de serviços seria responsável subsidiariamente pelas obrigações trabalhistas não cumpridas pela empresa terceirizada, desde que ficasse comprovada a falta de fiscalização.

3. Lei 13.429/2017 e o Marco Legal da Terceirização

A Lei 13.429/2017 trouxe mudanças significativas para o regime de terceirização no Brasil, permitindo a terceirização de qualquer atividade, seja ela meio ou fim, dentro de uma empresa. A lei estabeleceu que a responsabilidade da empresa contratante é subsidiária, ou seja, a empresa terceirizada é a primeira responsável pelas obrigações trabalhistas, e a tomadora de serviços responderá apenas em caso de inadimplemento e comprovada falha na fiscalização.

Essa mudança foi justificada como modernização das relações de trabalho, com a promessa de mais competitividade, crescimento econômico e novos postos de trabalho. No entanto, críticos argumentam que a flexibilização pode levar à precarização das condições de trabalho, criando uma diferenciação entre trabalhadores terceirizados e contratados diretamente, com possível violação de princípios constitucionais de isonomia e proteção ao trabalhador.

4. A Decisão do STF sobre a Constitucionalidade da Terceirização

Fachada de vidro de edificio corporativo
A terceirização redesenhou as relações entre empresas e trabalhadores. Imagem ilustrativa (Pexels).

Em junho de 2018, o STF julgou a constitucionalidade da Lei da Terceirização ao analisar cinco Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs 5685, 5686, 5687, 5695 e 5735). Por maioria de votos, o STF decidiu que a terceirização irrestrita, incluindo atividades-fim, é constitucional. A decisão marcou uma reviravolta na jurisprudência até então predominante do TST.

O relator das ações, ministro Gilmar Mendes, argumentou que, diante do cenário moderno de produção, a distinção entre atividades-meio e atividades-fim tornou-se difícil de ser definida e, portanto, a terceirização irrestrita deveria ser permitida para proporcionar mais flexibilidade e dinamismo ao mercado de trabalho. O relator destacou ainda que a Constituição Federal não proíbe expressamente a terceirização e que a regulamentação do trabalho deve ser compatível com a evolução do ambiente econômico e produtivo.

5. Implicações para Empresas e Trabalhadores

A decisão do STF e a Lei 13.429/2017 proporcionam às empresas uma maior liberdade para organizar suas atividades e contratar mão de obra terceirizada. Isso pode levar a uma maior especialização e eficiência na realização de atividades específicas, permitindo que as empresas se concentrem em suas competências essenciais.

Por outro lado, há preocupações legítimas sobre os direitos dos trabalhadores. A terceirização, especialmente em atividades-fim, pode resultar em condições de trabalho menos favoráveis para trabalhadores terceirizados, incluindo salários mais baixos, menos benefícios e menor estabilidade no emprego. Para mitigar esses riscos, a lei e as decisões judiciais enfatizam a responsabilidade da empresa tomadora em garantir a correta fiscalização das condições de trabalho e cumprimento das obrigações trabalhistas.

6. A Terceirização na Administração Pública

No âmbito da administração pública, a terceirização é permitida, mas com limitações para evitar a burla à exigência de concurso público. A decisão do STF reafirmou que a administração pública pode contratar empresas terceirizadas, desde que não utilize essa prática para substituir cargos que deveriam ser preenchidos por concurso. A responsabilidade subsidiária da administração pública permanece, impondo a necessidade de fiscalização rigorosa sobre as empresas contratadas para assegurar o cumprimento das obrigações trabalhistas.

7. Conclusão

Pastas de documentos coloridas e caneta, remetendo a contratos de prestacao de servicos
O contrato de prestação de serviços delimita a responsabilidade das partes. Imagem ilustrativa (Pexels).

A regulamentação da terceirização no Brasil, depois da Lei 13.429/2017 e da decisão do STF, marcou a evolução das relações de trabalho no país. O modelo oferece flexibilidade e potencial de crescimento, mas cobra um equilíbrio firme em defesa dos direitos dos trabalhadores. A fiscalização das condições de trabalho dos terceirizados, pela empresa tomadora e pela administração pública, é o que impede que essa flexibilidade se converta em precarização.

Referências

  1. Lei 13.429/2017. Dispõe sobre o trabalho temporário nas empresas urbanas e as relações de trabalho na empresa de prestação de serviços a terceiros.
  2. Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho.
  3. Supremo Tribunal Federal. Decisão nas ADIs 5685, 5686, 5687, 5695 e 5735.
  4. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.

O tema segue em disputa, entre a liberdade de contratar e a proteção de quem presta o serviço terceirizado.

Falar com Claudio Mendonça.

Claudio Mendonça dos Santos o autor

Autor: Claudio Mendonça é advogado, pós-graduado em direito previdenciário, com vasta experiência em processo trabalhista, bem como, em ajudar as pessoas a conhecer seus direitos trabalhista e previdenciário.

Ultimamente o advogado Claudio Mendonça tem se dedicado com exclusividade ao beneficio de auxílio-acidente e reestabelecimento de pagamentos de benefícios do INSS.

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