
DOENÇA DEGENERATIVA OU DOENÇA OCUPACIONAL NO FRIGORÍFICO: A CONCAUSA E O NTEP QUE DERRUBAM A NEGATIVA DO NEXO
O trabalhador do abate sente o ombro travar, o punho inchar e a coluna doer, procura o médico do INSS e sai de lá com um laudo que atribui tudo ao “desgaste natural” do corpo. Com esse rótulo, o benefício sai como doença comum, sem FGTS no afastamento e sem estabilidade no retorno. A palavra “degenerativa” fecha a porta. A lei, porém, guarda duas chaves que a reabrem: a concausa, que dispensa a exigência de causa única, e o nexo técnico epidemiológico, que presume a origem no trabalho. Este artigo mostra como cada uma funciona e por que o enquadramento como doença degenerativa merece ser questionado.
Resumo
O artigo examina a disputa entre a qualificação de uma lesão como doença degenerativa e o seu reconhecimento como doença ocupacional no ambiente do frigorífico, com foco nas lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho, nas tendinites, na síndrome do manguito rotador do ombro e nas lesões de coluna. Sustenta-se que a rotulagem dessas doenças como degenerativas, apoiada no art. 20, § 1.º, “a”, da Lei n.º 8.213, de 24 de julho de 1991, constitui a tática mais recorrente de empregadores e do Instituto Nacional do Seguro Social para negar o nexo com o trabalho e afastar a natureza acidentária do benefício. Demonstra-se que duas ferramentas legais superam esse enquadramento: a concausa, prevista no art. 21, inciso I, da mesma lei, que caracteriza o nexo sempre que o trabalho haja contribuído diretamente para desencadear ou agravar a doença, ainda que não seja a causa única; e o nexo técnico epidemiológico, previsto no art. 21-A, que presume a origem laboral a partir da correlação entre a atividade da empresa e o agravo, invertendo o ônus da prova em favor do segurado.
O texto percorre a diferença entre doença profissional e doença do trabalho, o alcance da exclusão das doenças degenerativas, a lógica da concausa e a mecânica da presunção epidemiológica, para então enfrentar as consequências práticas do reconhecimento do nexo acidentário: a conversão do benefício por incapacidade em espécie acidentária, o depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço durante todo o afastamento e a estabilidade de doze meses no emprego após o retorno, garantida pelo art. 118 da Lei n.º 8.213/1991 e pela Súmula n.º 378 do Tribunal Superior do Trabalho. O artigo orienta o trabalhador do frigorífico a reunir prova do histórico laboral e da relação entre a doença e a atividade de abate e desossa, a questionar o enquadramento como degenerativa na via administrativa e judicial, e reconhece com honestidade os limites de cada caso, que dependem da prova pericial e das circunstâncias concretas, sem promessa de resultado.
Palavras-chave: doença degenerativa x doença ocupacional; concausa (art. 21, I, da Lei n.º 8.213/1991); nexo técnico epidemiológico (art. 21-A); LER/DORT no frigorífico; benefício acidentário; estabilidade do art. 118 e Súmula n.º 378 do TST; FGTS no afastamento; nexo causal.
1. A lesão que o laudo chamou de desgaste natural
Comece pela cena do posto de trabalho, porque é dela que a controvérsia nasce. Na linha de abate e desossa de um frigorífico, o operador repete o mesmo movimento centenas de vezes por hora, com força, em ritmo imposto pela esteira, dentro de câmaras frias e com a postura fixada pela tarefa. Depois de meses ou anos nessa rotina, o ombro começa a travar, o punho incha, o cotovelo arde e a coluna cobra o preço. O trabalhador procura o médico, recebe o afastamento e, ao passar pela perícia do Instituto Nacional do Seguro Social, ouve que a lesão é fruto do envelhecimento do corpo, do desgaste natural, de uma predisposição individual. O laudo carimba a palavra que muda tudo: degenerativa.
Com esse enquadramento, o benefício sai como doença comum, e não como doença do trabalho. A diferença parece técnica, distante da vida de quem está afastado, mas o efeito é concreto e pesado. Na doença comum, o contrato fica suspenso sem depósito do Fundo de Garantia, e no retorno o empregado não conta com estabilidade alguma, podendo ser dispensado no dia seguinte à alta. Na doença de origem laboral, o cenário se inverte: o Fundo de Garantia continua sendo depositado durante o afastamento e o trabalhador retorna com doze meses de estabilidade no emprego. A palavra escolhida no laudo, portanto, decide direitos que valem meses de salário e a própria permanência no trabalho.
O que este artigo sustenta é que o rótulo de doença degenerativa não é um veredito definitivo, e sim uma qualificação que o trabalhador pode e deve questionar. A legislação previdenciária não trata o corpo do segurado como uma máquina que apenas se desgasta com o tempo, indiferente ao que o trabalho lhe impôs. A Lei n.º 8.213, de 24 de julho de 1991, guarda dois instrumentos que reabrem a porta que a palavra degenerativa fechou. O primeiro é a concausa. O segundo é o nexo técnico epidemiológico. Conhecer cada um é o que permite ao trabalhador do frigorífico enfrentar o laudo em vez de aceitá-lo.
2. Doença profissional, doença do trabalho e a exclusão da degenerativa
Antes de derrubar o rótulo, convém entender de onde ele vem, porque a própria lei que exclui a doença degenerativa é a que equipara ao acidente a doença nascida do trabalho. O art. 20 da Lei n.º 8.213/1991 reconhece duas espécies. A primeira, no inciso I, é a doença profissional, produzida ou desencadeada pelo exercício peculiar a determinada atividade, aquela que a própria natureza do ofício provoca. A segunda, no inciso II, é a doença do trabalho, adquirida ou desencadeada em função das condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relaciona diretamente. Ambas se equiparam ao acidente do trabalho para todos os efeitos legais, o que inclui a natureza acidentária do benefício.
É nesse mesmo artigo, porém, que reside a arma da negativa. O § 1.º do art. 20 estabelece quatro situações que não são consideradas doença do trabalho, e a alínea “a” abre a lista com a doença degenerativa. Ao lado dela figuram a doença inerente a grupo etário, a que não produza incapacidade laborativa e a doença endêmica adquirida por segurado habitante de região onde ela se desenvolva, salvo comprovação de que resulta de exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho. A leitura literal e isolada dessa alínea sugere uma exclusão simples: se a doença tem componente degenerativo, não seria doença do trabalho, e ponto final.
Essa leitura isolada, entretanto, ignora o resto da lei e distorce o próprio conceito de doença degenerativa. Degenerativa, em sentido técnico, designa a doença cuja origem está no processo natural de envelhecimento ou na constituição do indivíduo, sem relação com fatores externos. A questão decisiva não é saber se o corpo tem algum grau de desgaste, porque todo corpo adulto tem, e sim saber se o trabalho participou do surgimento ou da piora daquela lesão específica. Quando o labor no frigorífico entra na cadeia causal, a doença deixa de ser puramente degenerativa e passa a ter feição ocupacional, e a exclusão da alínea “a” não a alcança. É exatamente aqui que a concausa e o nexo epidemiológico entram em cena.
3. A concausa: o trabalho não precisa ser a causa única
A primeira ferramenta está no art. 21 da Lei n.º 8.213/1991, e o seu inciso I contém uma das definições mais subestimadas do direito acidentário brasileiro. O dispositivo equipara ao acidente do trabalho o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja contribuído diretamente para a morte do segurado, para a redução ou perda da sua capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para a recuperação. A expressão que muda o jogo é a ressalva “embora não tenha sido a causa única”. A lei diz, com todas as letras, que o trabalho não precisa ser a origem exclusiva da doença para que o nexo se caracterize.
É esse o conceito de concausa. Concausa é a causa que se soma a outras na produção de um mesmo resultado. Aplicada à saúde do trabalhador, significa reconhecer que uma doença pode ter, ao mesmo tempo, um componente ligado à constituição do indivíduo, uma predisposição pessoal, um fator etário, e um componente ligado ao trabalho. Se o labor no frigorífico contribuiu diretamente para desencadear a lesão que estava latente, ou para agravar um quadro que existiria de forma mais branda, o nexo acidentário se configura por inteiro. A lei não reparte a responsabilidade em frações nem exige que o trabalho responda por cem por cento da doença. Basta a contribuição direta.
O efeito da concausa sobre o rótulo de doença degenerativa é demolidor, e vale explicitá-lo. O empregador e o Instituto Nacional do Seguro Social costumam sustentar que a existência de um componente degenerativo afasta, por si só, a origem laboral. O art. 21, inciso I, responde que não afasta. Ainda que a perícia identifique desgaste ou predisposição, a presença desses fatores não exclui o nexo se o trabalho também contribuiu para o quadro. A concausa transforma a pergunta de “a doença é degenerativa ou é do trabalho” em “o trabalho contribuiu para a doença”, e essa segunda pergunta, no ambiente do frigorífico, tem resposta afirmativa em um número expressivo de casos. O componente degenerativo deixa de ser argumento de exclusão e passa a conviver com o reconhecimento acidentário.

4. O NTEP: a presunção que inverte o ônus da prova
A segunda ferramenta é mais recente e opera por outro caminho, o da estatística aplicada ao direito. O art. 21-A da Lei n.º 8.213/1991, inserido pela Lei n.º 11.430, de 26 de dezembro de 2006, criou o nexo técnico epidemiológico previdenciário, conhecido pela sigla NTEP. O dispositivo determina que a perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social considere caracterizada a natureza acidentária da incapacidade quando constatar ocorrência de nexo técnico epidemiológico entre o trabalho e o agravo, decorrente da relação entre a atividade da empresa e a entidade mórbida motivadora da incapacidade. Em linguagem direta, a lei cruza o ramo de atividade da empresa com o diagnóstico da doença e, havendo correlação estatística consolidada, presume que a doença tem origem no trabalho.
A presunção muda a posição das partes na disputa, e essa é a sua maior virtude para o trabalhador. Sem o NTEP, o segurado precisaria provar, um a um, todos os elos entre a doença e o labor, tarefa difícil para quem não tem acesso a laudos de engenharia de segurança nem a estudos ergonômicos do posto. Com o NTEP, a presunção se inverte: constatada a correlação entre a atividade da empresa e a doença, presume-se o nexo, e passa a caber a quem nega, o empregador ou o próprio Instituto, demonstrar a inexistência da relação. O § 1.º do art. 21-A prevê que o nexo epidemiológico deixa de ser aplicado quando demonstrada a inexistência da relação, e o § 2.º faculta à empresa requerer a não aplicação, com recurso dotado de efeito suspensivo. A regra, portanto, não é absoluta: constitui presunção que admite prova em contrário, produzida por quem tem o ônus de afastá-la.
No ambiente do frigorífico, a força do NTEP se revela com clareza. As atividades de abate e de processamento de carnes concentram, nas estatísticas de saúde do trabalho, uma incidência elevada de lesões por esforços repetitivos e de distúrbios osteomusculares, precisamente as doenças que os laudos tentam rotular como degenerativas. Quando o diagnóstico do trabalhador do abate corresponde a uma dessas doenças de alta correlação com o setor, a presunção epidemiológica atua a seu favor, e o rótulo de degenerativa deixa de ser suficiente para negar o benefício acidentário. A empresa que quiser afastar o nexo terá de produzir prova técnica robusta da inexistência da relação, e não apenas invocar a idade ou a constituição do segurado.
5. Concausa e NTEP diante do rótulo degenerativo
As duas ferramentas atuam em planos distintos e se reforçam quando aplicadas em conjunto, o que merece ser explicado para evitar confusão. A concausa é um conceito de direito material sobre a causalidade: define quando o nexo existe, ainda que o trabalho concorra com outros fatores. O nexo técnico epidemiológico é um mecanismo de prova: define quem tem de provar o quê, presumindo o nexo a partir da correlação estatística. Uma responde à pergunta sobre a substância do direito, a outra responde à pergunta sobre a distribuição do ônus probatório. Combinadas, formam uma defesa de duas camadas contra o enquadramento apressado como doença degenerativa.
Vale ver como as duas camadas operam sobre um mesmo caso do frigorífico. Suponha o operador de desossa com diagnóstico de síndrome do manguito rotador no ombro, doença que o laudo do Instituto atribui ao desgaste natural. Pela via do NTEP, a alta correlação entre a atividade do abate e essa doença presume o nexo, e transfere ao Instituto e à empresa o encargo de provar que o trabalho nada teve a ver com a lesão. Pela via da concausa, ainda que a perícia insista em um componente degenerativo do ombro, a comprovação de que o esforço repetitivo do posto contribuiu para desencadear ou agravar a lesão caracteriza o nexo acidentário, porque a lei dispensa a causa única. O rótulo degenerativo, que sozinho fecharia a porta, não resiste à aplicação conjunta das duas regras.
Convém registrar o que essas ferramentas não fazem, para não alimentar expectativa equivocada. Nem a concausa nem o NTEP transformam qualquer dor em doença ocupacional de forma automática. A concausa exige a contribuição direta do trabalho, que precisa ser demonstrada pela relação entre a atividade exercida e a lesão. O NTEP admite prova em contrário e pode ser afastado quando o empregador demonstra a inexistência do nexo. O que as duas regras garantem é que o componente degenerativo, isoladamente, não basta para negar o direito, e que o trabalhador do frigorífico entra na disputa com a lei a seu lado, e não contra si. A palavra final depende da prova de cada caso, mas o ponto de partida deixa de ser a rendição diante do laudo.
6. Por que o frigorífico desencadeia e agrava essas lesões
A tese só se sustenta se ancorada na realidade concreta do posto de trabalho, e o abate de animais reúne, em um único ambiente, os fatores de risco que a literatura de saúde ocupacional associa às lesões osteomusculares. A repetição é o primeiro deles: a tarefa de cortar, desossar, eviscerar e embalar impõe ciclos de movimento que se repetem milhares de vezes ao longo da jornada, sem pausa suficiente para a recuperação dos tendões e das articulações. A força é o segundo: manejar facas, vencer a resistência da carne e do osso e movimentar peças pesadas exige esforço muscular constante, que sobrecarrega punhos, cotovelos, ombros e coluna.
O frio agrava o conjunto, e não é detalhe secundário. O trabalho em câmaras refrigeradas e o contato com a carne gelada reduzem a irrigação e a flexibilidade dos músculos e tendões, o que aumenta a suscetibilidade à lesão e retarda a recuperação. Some-se a isso a postura imposta pela linha de produção, muitas vezes em pé, com o tronco inclinado e os braços elevados por longos períodos, e a cadência ditada pela esteira, que subtrai do trabalhador o controle sobre o próprio ritmo. Esse arranjo de repetição, força, frio, postura e cadência descreve com precisão o cenário que a medicina do trabalho identifica como gerador de lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho.
Não por acaso, a atividade de abate e processamento de carnes recebeu norma regulamentadora própria de segurança e saúde, voltada a controlar exatamente esses riscos. A existência de regulação específica para o setor confirma, no plano normativo, o que as estatísticas mostram no plano dos números: o frigorífico é um ambiente de risco ergonômico reconhecido, e a doença osteomuscular que dele emerge tem no trabalho, no mínimo, uma concausa. Quando o laudo do Instituto atribui a lesão apenas ao desgaste natural do corpo, ignora todo esse contexto e reduz a uma explicação individual o que a organização do trabalho produziu. Recuperar esse contexto na perícia e no processo é o que reconecta a doença ao labor e sustenta o pedido de reconhecimento do nexo acidentário.
7. O que muda com o nexo acidentário: FGTS e estabilidade
Reconhecer o nexo com o trabalho não é discussão acadêmica, e as consequências concretas justificam a insistência do trabalhador em derrubar o rótulo degenerativo. A primeira consequência atinge a espécie do benefício. Quando o afastamento por incapacidade decorre de doença comum, o Instituto Nacional do Seguro Social o classifica administrativamente em uma espécie previdenciária; quando a origem é acidentária, o benefício recebe classificação acidentária. Essa distinção, que o Instituto opera por meio de códigos administrativos de espécie, não altera necessariamente o valor mensal, mas muda de forma decisiva o que ocorre no contrato de trabalho durante e depois do afastamento.
A segunda consequência é o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Como regra, o contrato suspenso pela incapacidade não gera depósitos do Fundo. A legislação, porém, abre exceção quando o afastamento decorre de acidente do trabalho ou de doença a ele equiparada: nesse caso, o empregador permanece obrigado a depositar o Fundo de Garantia ao longo de toda a suspensão do contrato. Para o trabalhador do frigorífico afastado por meses, ou por anos, em razão de uma lesão osteomuscular, a diferença entre receber ou não os depósitos ao longo do período de incapacidade representa uma soma expressiva, que só existe se o benefício tiver natureza acidentária. Aceitar o rótulo degenerativo é, também, abrir mão desses depósitos.
A terceira consequência, e talvez a mais sentida, é a estabilidade no emprego. O art. 118 da Lei n.º 8.213/1991 garante ao segurado que sofreu acidente do trabalho a manutenção do seu contrato pelo prazo mínimo de doze meses após a cessação do auxílio por incapacidade acidentário, independentemente de percepção de auxílio-acidente. A Súmula n.º 378 do Tribunal Superior do Trabalho consolidou o alcance dessa garantia e a estendeu, de forma expressa, à doença profissional que guarde relação de causalidade com a execução do contrato de trabalho, equiparando-a, para efeito de estabilidade, ao acidente típico. Em resumo, reconhecido o nexo acidentário, o trabalhador do frigorífico retorna do afastamento com doze meses de emprego assegurados, e a dispensa nesse período, salvo justa causa, caracteriza dispensa arbitrária, com direito à reintegração ou à indenização do período estabilitário.

8. O que o trabalhador do frigorífico pode fazer na prática
A regra só protege quem a converte em conduta, e o primeiro movimento é reunir a prova do vínculo entre a doença e o trabalho. Interessa guardar a carteira de trabalho e o histórico de funções exercidas no frigorífico, com o tempo em cada posto de abate, desossa ou embalagem; os atestados e laudos médicos particulares, que muitas vezes descrevem a relação da lesão com o esforço laboral com mais franqueza do que a perícia oficial; os exames de imagem; e qualquer registro da comunicação de acidente de trabalho, a CAT, cuja emissão é dever da empresa e direito do trabalhador. A descrição detalhada do posto e dos movimentos repetidos ao longo da jornada é peça central para demonstrar a contribuição do trabalho.
O segundo movimento é questionar o enquadramento como doença degenerativa, e não recebê-lo como palavra final. Na via administrativa, o segurado pode recorrer da decisão da perícia do Instituto Nacional do Seguro Social e pleitear o reconhecimento da natureza acidentária, invocando a concausa e o nexo técnico epidemiológico. Na via judicial, cabe a ação para reconhecimento do nexo e conversão do benefício em espécie acidentária, com produção de prova pericial que avalie o posto de trabalho e a relação entre a atividade e a lesão. O ponto técnico a sustentar é que a existência de um componente degenerativo não afasta o nexo quando o trabalho contribuiu para o quadro, por força do art. 21, inciso I, e que a correlação epidemiológica do setor presume a origem laboral, por força do art. 21-A.
O terceiro movimento é o cuidado com os efeitos trabalhistas do reconhecimento. Confirmado o nexo acidentário, o trabalhador deve verificar o depósito do Fundo de Garantia relativo ao período de afastamento e observar a estabilidade de doze meses a partir do retorno, prevista no art. 118 da Lei n.º 8.213/1991 e reforçada pela Súmula n.º 378 do Tribunal Superior do Trabalho. Se a dispensa ocorreu dentro do período estabilitário, há pretensão de reintegração ou de indenização a examinar, sujeita aos prazos de prescrição. A orientação técnica ajuda a medir o que é devido, a organizar a prova e a escolher o caminho, na via previdenciária, na trabalhista, ou em ambas, conforme o direito discutido. Nenhum resultado pode ser prometido, porque cada caso depende da prova pericial e das circunstâncias concretas, mas conhecer a concausa e o nexo epidemiológico é o que retira o trabalhador do frigorífico da posição de quem aceita o laudo como sentença.
9. Os limites honestos da tese
Um texto que só prometesse vitórias venderia ilusão, e a defesa contra o rótulo degenerativo tem contornos que precisam ser ditos com franqueza. O primeiro limite é a natureza probatória da disputa. Nem toda lesão osteomuscular de quem trabalha em frigorífico tem, de fato, origem ou agravamento no trabalho, e a perícia médica continua sendo o campo em que a controvérsia se decide. A concausa exige a demonstração da contribuição direta do labor, e o nexo técnico epidemiológico admite prova em contrário. A tese não assegura o ganho automático: garante apenas que o componente degenerativo, sozinho, não encerra a discussão, cabendo à prova de cada caso definir o desfecho.
O segundo limite está na possibilidade de a empresa afastar o nexo epidemiológico. O § 2.º do art. 21-A da Lei n.º 8.213/1991 faculta ao empregador requerer a não aplicação do nexo técnico epidemiológico, com recurso dotado de efeito suspensivo, e o § 1.º prevê que a presunção cede quando demonstrada a inexistência da relação entre o trabalho e o agravo. A presunção, portanto, favorece o trabalhador, mas não é inatingível, e o segurado deve estar preparado para o contraditório, com prova própria da relação entre a doença e a atividade, sobretudo o histórico de funções e a descrição do posto. A inversão do ônus alivia o encargo do trabalhador, sem eliminá-lo por completo.
O terceiro limite é a distinção entre as esferas. O reconhecimento da natureza acidentária do benefício, na esfera previdenciária, e a estabilidade no emprego, na esfera trabalhista, seguem procedimentos e competências distintos, e uma conquista não importa automaticamente a outra. O laudo pericial que reconhece o nexo em um processo constitui prova relevante no outro, mas cada pretensão tem o seu rito e o seu prazo. Dentro dessas fronteiras, a posição do trabalhador do frigorífico é mais firme do que o carimbo de doença degenerativa sugere. A lei não trata o corpo do segurado como uma peça que apenas se gasta com o tempo, e oferece, na concausa e no nexo epidemiológico, os instrumentos para reconectar a lesão ao trabalho que a produziu.
10. Conclusão
O laudo com o carimbo de doença degenerativa não sela o destino do trabalhador do abate: a própria lei permite contestar essa qualificação. A tática de atribuir a lesão osteomuscular ao desgaste natural do corpo, apoiada no art. 20, § 1.º, “a”, da Lei n.º 8.213/1991, encontra dois obstáculos que a jurisprudência e a legislação erigiram em favor do segurado. A concausa, do art. 21, inciso I, dispensa a exigência de causa única e caracteriza o nexo sempre que o trabalho contribui diretamente para desencadear ou agravar a doença, ainda que ao lado de fatores individuais. O nexo técnico epidemiológico, do art. 21-A, presume a origem laboral a partir da correlação entre a atividade do frigorífico e o agravo, e transfere a quem nega o encargo de provar a inexistência da relação.
As consequências de derrubar o rótulo justificam a insistência. Reconhecido o nexo acidentário, o benefício por incapacidade adquire natureza acidentária, o Fundo de Garantia continua sendo depositado durante todo o afastamento, e o trabalhador retorna com a estabilidade de doze meses assegurada pelo art. 118 da Lei n.º 8.213/1991 e pela Súmula n.º 378 do Tribunal Superior do Trabalho. Os limites são igualmente verdadeiros: a disputa se decide na prova pericial, o nexo epidemiológico admite prova em contrário, e as esferas previdenciária e trabalhista têm ritos próprios. Dentro dessas fronteiras, porém, a mensagem central se mantém. A palavra degenerativa, escrita no laudo, não é a última palavra, e o trabalhador do frigorífico que conhece a concausa e o nexo epidemiológico enfrenta o enquadramento com a lei a seu favor, em vez de aceitá-lo como se fosse a única leitura possível do próprio corpo.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O INSS negou meu benefício acidentário dizendo que minha doença é degenerativa. Posso reverter?
Sim, o enquadramento como doença degenerativa pode ser questionado nas vias administrativa e judicial. A exclusão da doença degenerativa prevista no art. 20, § 1.º, “a”, da Lei n.º 8.213/1991 não alcança a doença para a qual o trabalho contribuiu diretamente. Pelo conceito de concausa, do art. 21, inciso I, o nexo se caracteriza mesmo quando existe um componente degenerativo, desde que o labor tenha desencadeado ou agravado a lesão, porque a lei não exige que o trabalho seja a causa única. O caminho é recorrer da decisão da perícia e, se necessário, ajuizar ação com prova pericial que avalie a relação entre a atividade e a doença. O resultado depende da prova de cada caso.
O que é concausa e por que ela ajuda o trabalhador do frigorífico?
Concausa é a causa que se soma a outras na produção de um mesmo resultado. Na saúde do trabalhador, significa que uma doença pode ter, ao mesmo tempo, um componente ligado à constituição da pessoa e um componente ligado ao trabalho. O art. 21, inciso I, da Lei n.º 8.213/1991 equipara ao acidente do trabalho aquilo que, embora não seja a causa única, contribui diretamente para a perda ou redução da capacidade. No frigorífico, a repetição, a força, o frio e a postura fixa do abate e da desossa costumam contribuir para as lesões osteomusculares, o que caracteriza a concausa ainda que a perícia aponte algum desgaste natural. A existência de predisposição individual não afasta, sozinha, o nexo com o trabalho.
O que é o NTEP e como ele muda a prova do meu caso?
O nexo técnico epidemiológico previdenciário, o NTEP, está no art. 21-A da Lei n.º 8.213/1991 e presume a origem laboral da doença a partir da correlação entre a atividade da empresa e o diagnóstico do segurado. Quando o ramo do frigorífico e a doença apresentam correlação estatística consolidada, a perícia deve considerar caracterizada a natureza acidentária da incapacidade, e o ônus de provar que não há relação passa para o empregador e para o Instituto. A presunção não é absoluta: o § 1.º do art. 21-A permite afastá-la quando demonstrada a inexistência do nexo, e o § 2.º faculta à empresa requerer a não aplicação. Ainda assim, o NTEP coloca a lei a favor do trabalhador na disputa probatória.
Se o INSS reconhecer o nexo acidentário, tenho estabilidade no emprego?
Sim. O art. 118 da Lei n.º 8.213/1991 garante ao segurado que sofreu acidente do trabalho a manutenção do contrato por, no mínimo, doze meses após a cessação do benefício por incapacidade acidentário. A Súmula n.º 378 do Tribunal Superior do Trabalho estendeu essa garantia à doença profissional que guarde relação de causalidade com a execução do contrato, equiparando-a ao acidente para efeito de estabilidade. Durante esse período de doze meses, a dispensa sem justa causa caracteriza dispensa arbitrária e pode gerar direito à reintegração ou à indenização do tempo de estabilidade. A cobrança desse direito sujeita-se aos prazos de prescrição trabalhista.
A empresa precisa depositar o FGTS enquanto estou afastado por doença ocupacional?
Sim, quando o afastamento tem natureza acidentária. Como regra, o contrato suspenso por incapacidade não gera depósitos do Fundo de Garantia, mas a legislação abre exceção para o afastamento decorrente de acidente do trabalho ou de doença a ele equiparada, hipótese em que o empregador permanece obrigado a depositar o Fundo durante toda a suspensão do contrato. Por isso o reconhecimento do nexo acidentário é decisivo: além da estabilidade no retorno, ele assegura o depósito do Fundo de Garantia ao longo do período de afastamento. Aceitar o enquadramento da doença como degenerativa, sem questioná-lo, significa abrir mão desses depósitos e da estabilidade.
Referências
Legislação e atos normativos
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República. Dispositivos citados: art. 7.º, inc. XXII (redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança); art. 7.º, inc. XXVIII (seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador); art. 201, inc. I (cobertura previdenciária dos eventos de incapacidade). Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 24 jul. 2026.
BRASIL. Lei n.º 8.213, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social. Art. 19 (conceito de acidente do trabalho); art. 20, inc. I e II (doença profissional e doença do trabalho equiparadas a acidente); art. 20, § 1.º, “a” (a doença degenerativa não é considerada doença do trabalho); art. 21, inc. I (concausa: contribuição direta do trabalho, ainda que não seja a causa única); art. 21-A (nexo técnico epidemiológico entre a atividade da empresa e o agravo, com § 1.º e § 2.º); art. 118 (estabilidade de doze meses após a cessação do benefício acidentário). Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm. Acesso em: 24 jul. 2026.
BRASIL. Lei n.º 11.430, de 26 de dezembro de 2006. Inseriu o art. 21-A na Lei n.º 8.213/1991, instituindo o nexo técnico epidemiológico previdenciário (NTEP). Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11430.htm. Acesso em: 24 jul. 2026.
BRASIL. Lei Complementar n.º 150, de 1.º de junho de 2015. Entre outras providências, alterou a redação do art. 21-A da Lei n.º 8.213/1991. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp150.htm. Acesso em: 24 jul. 2026.
BRASIL. Decreto n.º 3.048, de 6 de maio de 1999. Regulamento da Previdência Social; disciplina a caracterização do acidente do trabalho e a aplicação do nexo técnico epidemiológico pela perícia médica. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3048.htm. Acesso em: 24 jul. 2026.
BRASIL. Lei n.º 8.036, de 11 de maio de 1990. Dispõe sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; art. 15, § 5.º (obrigação de depósito do FGTS durante o afastamento por acidente do trabalho). Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8036consol.htm. Acesso em: 24 jul. 2026.
BRASIL. Decreto-Lei n.º 5.452, de 1.º de maio de 1943. Consolidação das Leis do Trabalho; art. 157 (dever do empregador de cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho); art. 818 e art. 373-A (distribuição do ônus da prova, aplicáveis à prova do nexo). Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452compilado.htm. Acesso em: 24 jul. 2026.
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora n.º 36 (NR-36): Segurança e Saúde no Trabalho em Empresas de Abate e Processamento de Carnes e Derivados. Estabelece medidas de prevenção dos riscos ergonômicos no setor de frigoríficos. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br. Acesso em: 24 jul. 2026.
Jurisprudência e súmulas
BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula n.º 378: reconhece a estabilidade acidentária do art. 118 da Lei n.º 8.213/1991 e a estende à doença profissional que guarde relação de causalidade com a execução do contrato de trabalho, equiparando-a, para esse efeito, ao acidente do trabalho. Texto conferido no portal de jurisprudência do TST. Disponível em: https://jurisprudencia.tst.jus.br. Acesso em: 24 jul. 2026.
Doutrina
OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de. Indenizações por acidente do trabalho ou doença ocupacional. São Paulo: LTr (nexo causal e concausal, doença ocupacional e concausa; edição/ano conforme exemplar consultado). MELO, Raimundo Simão de. Direito ambiental do trabalho e a saúde do trabalhador. São Paulo: LTr (meio ambiente do trabalho, riscos ergonômicos e responsabilidade; edição/ano conforme exemplar consultado). DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr (acidente do trabalho, estabilidade acidentária e proteção do meio ambiente laboral; edição/ano conforme exemplar consultado).
CASTRO, Carlos Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de direito previdenciário. Rio de Janeiro: Forense (acidente do trabalho, doença ocupacional, concausa e nexo técnico epidemiológico; edição/ano conforme exemplar consultado). IBRAHIM, Fábio Zambitte. Curso de direito previdenciário. Niterói: Impetus (benefícios por incapacidade e caracterização do acidente do trabalho; edição/ano conforme exemplar consultado). AMADO, Frederico. Curso de direito e processo previdenciário. Salvador: JusPodivm (nexo técnico epidemiológico e benefícios acidentários; edição/ano conforme exemplar consultado).
SANTOS, Marisa Ferreira dos. Direito previdenciário esquematizado. São Paulo: Saraiva (prestações por incapacidade e acidente do trabalho; edição/ano conforme exemplar consultado). KERTZMAN, Ivan. Curso prático de direito previdenciário. Salvador: JusPodivm (custeio, NTEP e Fator Acidentário de Prevenção; edição/ano conforme exemplar consultado). HORVATH JÚNIOR, Miguel. Direito previdenciário. São Paulo: Quartier Latin (benefícios acidentários e caracterização do nexo; edição/ano conforme exemplar consultado).
MARTINEZ, Wladimir Novaes. Comentários à lei básica da previdência social. São Paulo: LTr (interpretação dos arts. 19 a 21-A da Lei n.º 8.213/1991; edição/ano conforme exemplar consultado). GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa. Curso de direito do trabalho. Rio de Janeiro: Forense (acidente do trabalho, doença ocupacional e estabilidade; edição/ano conforme exemplar consultado). LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de direito do trabalho. São Paulo: Saraiva (proteção à saúde do trabalhador e estabilidade acidentária; edição/ano conforme exemplar consultado).
Fontes técnicas e oficiais
BRASIL. Presidência da República. Portal da Legislação (Planalto): base de dados oficial da legislação federal. Consulta ao texto consolidado da Lei n.º 8.213/1991. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03. Acesso em: 24 jul. 2026.
BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Portal de Jurisprudência do TST: acervo de súmulas, orientações jurisprudenciais e precedentes. Consulta ao texto da Súmula n.º 378. Disponível em: https://jurisprudencia.tst.jus.br. Acesso em: 24 jul. 2026.
BRASIL. Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Benefícios por incapacidade e perícia médica federal: caracterização do acidente do trabalho e aplicação do nexo técnico epidemiológico. Disponível em: https://www.gov.br/inss/pt-br. Acesso em: 24 jul. 2026.
BRASIL. Ministério da Previdência Social. Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP) e Fator Acidentário de Prevenção (FAP): metodologia de correlação entre atividade econômica e agravos à saúde. Disponível em: https://www.gov.br/previdencia/pt-br. Acesso em: 24 jul. 2026.
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Segurança e saúde no trabalho em frigoríficos: riscos ergonômicos e prevenção de lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares (LER/DORT). Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br. Acesso em: 24 jul. 2026.
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Sobre o autor: Dr. Claudio Mendonça, advogado inscrito na OAB/GO 39.573, titular da Claudio Mendonça Advogados (Goiânia/GO), com atuação em Direito do Trabalho e Direito Previdenciário e experiência na defesa do trabalhador de frigorífico, incluindo o reconhecimento da doença ocupacional diante do rótulo de doença degenerativa, a concausa do art. 21, inciso I, e o nexo técnico epidemiológico do art. 21-A da Lei n.º 8.213/1991, a conversão do benefício em espécie acidentária, o depósito do FGTS durante o afastamento e a estabilidade do art. 118 da mesma lei e da Súmula n.º 378 do TST. Conteúdo de caráter informativo e técnico, sem promessa de resultado. O reconhecimento do nexo acidentário depende da prova pericial e das circunstâncias de cada caso.
Como citar este artigo: MENDONÇA, Claudio. Doença degenerativa ou doença ocupacional no frigorífico: a concausa e o NTEP que derrubam a negativa do nexo. Blog Claudio Mendonça Advogados, Goiânia, 2026. Disponível em: https://claudioadv.com.br/. Acesso em: [data].
O INSS enquadrou a sua lesão de ombro, punho ou coluna como doença degenerativa e negou o benefício acidentário? No frigorífico, a repetição, a força, o frio e a postura do abate e da desossa costumam contribuir diretamente para a lesão, o que caracteriza a concausa do art. 21, inciso I, e aciona o nexo técnico epidemiológico do art. 21-A da Lei n.º 8.213/1991, com reflexo no FGTS do afastamento e na estabilidade do art. 118 e da Súmula n.º 378 do TST. A Claudio Mendonça Advogados examina o histórico de funções, os laudos e a relação da doença com o trabalho para questionar o enquadramento como degenerativa. Fale pelo WhatsApp e peça uma avaliação do seu caso ou escreva para contato@claudioadv.com.br.




















